Avanço da chikungunya preocupa autoridades e mobiliza força-tarefa em Mato Grosso do Sul
Mato Grosso do Sul tem intensificado o enfrentamento à chikungunya diante do aumento de casos registrados em 2026. De acordo com o Boletim Epidemiológico divulgado nesta quarta-feira (1º), com dados atualizados até 28 de março, o Estado contabiliza 3.657 casos prováveis da doença, sendo 1.757 confirmados. Entre os casos confirmados, 37 são em gestantes, além de sete óbitos registrados.
O levantamento também aponta 2.485 notificações de dengue, com 352 casos confirmados, o que acende o alerta das autoridades de saúde para a circulação simultânea de arboviroses.
O presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso do Sul (Cosems/MS), Janssen Portela Galhardo, afirma que o cenário vem sendo monitorado continuamente. Segundo ele, o tema tem sido pauta constante nas reuniões da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) e das Comissões Intergestores Regionais (CIRs).
“Desde o início do ano, os municípios intensificaram as ações de prevenção e conscientização, como por exemplo o uso do fumacê. Na reunião mais recente, o Estado também disponibilizou 150 bombas costais para reforçar o trabalho das equipes locais”, destacou.
Como parte das estratégias de enfrentamento, o Estado deve receber 46.530 doses de vacina, que serão destinadas aos municípios de Dourados e Itaporã, conforme definição do Centro de Operações de Emergências (COE), em reunião realizada na Secretaria de Estado de Saúde (SES).
Em Dourados, a situação é ainda mais crítica. Com o reconhecimento de emergência pelo Governo Federal, o município deve receber cerca de R$ 900 mil em recursos para intensificar as ações de combate à doença.
A preocupação também se estende a cidades que já enfrentaram surtos recentes. Em Vicentina, a secretária municipal de Saúde, Ludelça Dorneles dos Santos, relembra o impacto da chikungunya no ano passado.
“Tivemos um surto bastante difícil, um período muito sofrido. Agora, estamos trabalhando para não reviver aquela situação, principalmente porque nossa macrorregião concentra muitos casos. A bomba costal, aliada a outras ações, contribui bastante para o trabalho dos agentes”, afirmou.
As autoridades de saúde reforçam que o enfrentamento à chikungunya deve ocorrer em duas frentes: vigilância e assistência. No entanto, destacam que a participação da população é indispensável para conter a proliferação do mosquito transmissor.
A maior parte dos focos do Aedes aegypti está dentro das residências, em recipientes que acumulam água parada. Por isso, a orientação é manter quintais limpos e eliminar possíveis criadouros. Aos agentes de endemias cabe a aplicação de bloqueios químicos e ações educativas, não a remoção de lixo doméstico.
“A chikungunya é uma doença incapacitante, que pode deixar sequelas por longos períodos, impactando diretamente a assistência em saúde, com necessidade de fisioterapia e até afastamento do trabalho. Sem a colaboração efetiva da população, não será possível eliminar os focos do mosquito”, reforçou Galhardo.



